Arquivo da categoria: Campanhas

Porque o corpo negro estendido no chão não comove?

Pensar a história do Brasil é pensar a questão étnico-racial. Ou seja, um país estruturado por relações raciais, com uma população autodeclarada preta e parda de 50,7% (Censo IBGE, 2010) e com uma história “marcada pela invasão colonial exploratória e pela escravidão racializada, que resultaram posteriormente num capitalismo tardio, periférico e estruturalmente racista” (Ortegal, 2018, p. 428).

A sociedade brasileira é construída através do racismo enquanto sistema de opressão estrutural e estruturante, que ressignifica vidas, vivências e histórias.

IMG-20190219-WA0197

Gabriel Lopes (Guaru)

A população negra e a população branca vivem realidades distintas no Brasil, no que se refere à violência. Em 2016, por exemplo, a taxa de homicídios de negros foi duas vezes e meia superior à de não negros (16,0% contra 40,2%). Em um período de uma década, entre 2006 e 2016, a taxa de homicídios de negros cresceu 23,1%, segundo dados do Atlas da Violência, 2018.

“É como se, em relação à violência letal, negros e não negros vivessem em países completamente distintos”, diz trecho do Atlas da Violência 2018.

A juventude negra deste país vem sofrendo um processo de racismo institucionalizado que mata, oprime e silencia. Pois, segundo dados da Anistia Internacional, dos 30 mil jovens vítimas de homicídios por ano, 77% são negros (Ribeiro, 2018).

E é perceptível que está ocorrendo um genocídio da juventude negra (Almeida, 2014) e nada está sendo feito. Daí é necessário refletir, […] porque o corpo negro estendido no chão não comove? […] as mortes de negros já estão tão naturalizadas que as pessoas agem como se fosse normal, o que acaba sendo mesmo num Estado racista (Ribeiro, 2018, p. 103).

cfess

Arte: Carlos D/CRESS-RJ

A violência perpetuada contra negras e negros não se expressa apenas no alto percentual de encarceramento e óbitos em conflitos policiais, mas numa gama de outras formas, como a violência obstétrica no sistema de saúde, a taxa de desemprego, o analfabetismo, a intolerância a práticas culturais e religiosas. Isso revela as tentativas de silenciamento e de apagamento de um legado milenar, que fazem parte da base da construção do país. E mesmo após o fim do modo de produção escravista, essas “mortes simbólicas” são reproduzidas e praticadas (CFESS, 2018, p.33).

O silêncio que tenta nos aprisionar durante séculos é evidente. Mas “ainda que sejam caladas e negligenciadas, vozes se insurgem” (Ribeiro, 2018, p. 18). É relevante se atentar que é necessário “esse estilhaçar, romper, desestabilizar, falar pelos orifícios da máscara.” (Evaristo, apud, Ribeiro, 2018, p. 19) e romper as correntes do epistemicídio que silencia cotidianamente.

É fundamental que este debate que hoje germina, se fortifique cada vez mais no âmbito do Serviço Social brasileiro, tanto na categoria profissional como no processo formativo-acadêmico. E para que possamos reduzir a violência letal no país, é necessário que esses dados sejam levados em consideração e alvo de profunda reflexão. É com base em evidências como essas que políticas eficientes de prevenção da violência devem ser desenhadas e focalizadas, garantindo o efetivo direito à vida e à segurança da população negra no Brasil”, destaca o Atlas da Violência (2018).

Diante disso, a Enesso reafirma sua luta por uma sociedade antirracista, contrária a toda forma de violência contra a população negra, principalmente, o genocídio da juventude negra que se alastra e que se vivencia. E coaduna com o posicionamento do conjunto CFESS-CRESS, que as estudantes e assistentes sociais deste país necessitam fincar o pé na caminhada e estar nas trincheiras contra o racismo.

Anúncios

Dia Nacional da Visibilidade Lésbica

Dia 29 de agosto é o dia nacional da Visibilidade Lésbica.

Por isso, no mês de agosto celebramos a liberdade de amar e ser amada por outra mulher.

Celebramos o nosso direito a viver nossa sexualidade livre dos estereótipos e das imposições patriarcais sobre nossos corpos e desejos.

Celebramos a luta das mulheres lésbicas que nos antecederam nessa caminhada rumo à construção de uma sociedade em que amar uma mulher não seja motivo de medo ou vergonha!

Mas nosso celebrar é também resistência.

Vivemos tempos em que a intolerância, a violência e o preconceito são disseminados como valores por setores conservadores da sociedade em templos e redes de difusão audiovisual e nos parlamentos.

Vivemos tempos em que as discussões sobre gênero, sexualidade e raça são banidas das escolas.

Vivemos tempos em que, sobretudo paras as mulheres pretas, pobres e periféricas o Estado é mínimo e a repressão é máxima.

Vivemos tempos em que o combate às forças conservadores exige de nós sensibilidade para perceber que as estratégias de resistência são variadas e construídas por aquelas que vivenciam em seus corpos cotidianamente a violência de estado, a violência da desigualdade social e violência do racismo e da lesbofobia.

E pensando nisso, durante os dias 23 a 29 de julho de 2018, algumas de nós estivemos reunidas no XL ENESS TRIÂNGULO (Uberaba, MG). A partir da reunião da Setorial LGBT deste ENESS decidimos nos organizar e construir uma campanha para o dia 29 de Agosto, Dia Nacional da Visibilidade Lésbica no nosso país.

O resultado dessa articulação é esse vídeo onde as estudantes afirmam ““PRA MIM, SER SAPATÃO É…”, como um grito coletivo de resistência!

Confira o vídeo na nossa página do Facebook!

CLIQUE AQUI

Confira o vídeo no perfil do YouTube!

CHAMADO ÀS MULHERES LÉSBICAS DA ENESSO – EXECUTIVA NACIONAL DE ESTUDANTES DE SERVIÇO SOCIAL

Durante os dias 23 a 29 de julho de 2018, algumas de nós estivemos reunidas no XL ENESS TRIÂNGULO (Uberaba, MG). A partir da reunião da Setorial LGBT deste ENESS decidimos nos organizar e construir uma campanha para o dia 29 de Agosto, Dia Nacional da Visibilidade Lésbica no nosso país.

Considerando que na sociabilidade capitalista patriarcal, lesbofóbica e racista as mulheres são silenciadas e violentadas no espaço público e privado, entendemos que é imprescindível a existência de espaços e instrumentos que resgatem a memória da resistência diária da gente! Esperamos que possamos nos reconhecer enquanto estudantes de Serviço Social na perspectiva de fortalecer a luta das mulheres lésbicas brasileiras nessa conjuntura adversa.

Mas como vai funcionar essa campanha?! Queremos que tu graves um vídeo dizendo pro mundo que “PRA MIM, SER SAPATÃO É…”. Sabemos que pode ser complicado fazer isso sozinha, então não tem problema chamar as sapatão do teu centro ou diretório acadêmico e pensar num vídeo coletivo.

Pedimos que os vídeos sejam enviados para enessooficial@gmail.com até dia 22/08, para que a gente consiga editar e lançar esse grito coletivo no dia 29/08!

E aí, bora fortalecer esse LESBOMESS?!

Convocação – Campanha: A quem serve o seu conhecimento?

Olá companheiras/os da ENESSO!

No Planejamento Estratégico Nacional que aconteceu entre os dias 5 e 7 de setembro, foi pensado entre a Coordenação Nacional, Coordenações Regionais, Centros Acadêmicos e Estudantes presentes, representando as 7 regiões, a construção de uma Campanha Nacional com o tema: A quem serve o seu conhecimento?

A proposta é no intuito de discutir e problematizar criticamente os rumos Educação e principalmente o Ensino Superior no nosso país, que está sendo mercantilizado através de programas e políticas de flexibilização, precarização e aligeiramento da graduação, voltada para interesses da ordem vigente. A campanha tem o intuito de refletir os impactos diretos na formação profissional e na reprodução da sociedade capitalista, a qual questionamos nos posicionando enquanto entidade politico-organizativa da categoria que defende um projeto ético político profissional contra hegemônico.

Iniciamos essa proposta, compreendendo que devemos construí-la coletivamente, garantindo que contemple a realidade de todas/os estudantes de Serviço Social do país e reafirmando principalmente a importância da participação das Coordenações Regionais, Secretárias/os de Escola, Centros e Diretórios Acadêmicos e demais estudantes na construção dos rumos da ENESSO.

Por isso, convidamos as/os estudantes de Serviço Social para participarem da 1º reunião de construção da campanha que acontecerá nos dia 09/11, às 16h (horário de brasília), via skype. É de extrema importância a participação de todas/as a fim de contribuir nas reflexões e proposta para nossa campanha, para que a construção seja de forma coletiva e democrática!

Eu sou ENESSO e vou lutar por uma Universidade Popular!

pra que(m) serve o teu conhecimento

%d blogueiros gostam disto: